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O Deformante

Texto enviado para a Folha de S. Paulo:

“No último domingo, Simonal foi, mais uma vez, julgado e condenado. Desta vez, pela Folha de São Paulo, numa matéria sensacionalista e exageradamente grande (com destaque na primeira página e tudo), assinada pelo “jornalista” Mário Magalhães.

Foram diversas páginas, todas provocadas pela “descoberta de um fato novo”, um documento inédito que provaria de maneira cabal e definitiva que Simonal era um informante do DOPS.

Simonal está morto há quase 10 anos. A Lei de Anistia tem uns 30. Mas o “fato” era tão importante, que por si só justificava não só a “reabertura do caso”, mas também provava “por A mais B”, que o cantor era mesmo um dedo-duro juramentado. Afinal, no tal documento inédito, o próprio Simonal assumia suas ligações pra lá de perigosas.

Então tá ! Só que existem alguns probleminhas no “raciocínio” do “jornalista”.

Em primeiro lugar, o documento inédito não é inédito. Ao tentar se defender da acusação que teria sido mandante do seqüestro do seu ex-contador, Simonal (orientado pelos seus advogados, segundo depoimento da própria vítima, no documentário Simonal – Ninguém Sabe o Duro que Dei, meu, de Micael Langer e Calvito Leal) afirmou que havia prestado queixa anterior de supostas ameaças terroristas e, por isso, tinha pedido que o DOPS investigasse.

O que o tal documento usado como base na imensa reportagem do caderno Mais diz é, mais ou menos, isso: Simonal tenta tirar o corpo fora do imbroglio policial que se meteu, dizendo que era alvo constante dos subversivos, porque ele simpatizava com o regime de 64 e acreditava que o DOPS poderia ajudá-lo, já que aquele órgão também atuava no meio artístico, à procura de opositores, etc e tal… por isso, ele emprestou o seu carro (um Opala) para a ajudar nessa “operação”.

Nosso documentário, inclusive, exibe duas matérias, publicadas pela grande imprensa da época com as manchetes “Terror ameaça Simonal” e “Simonal se diz de direita e com bom serviços prestados à Revolução”.

Quando fui procurado pelo autor da já citada reportagem (“O Informante”), seu tom era grave. Ele havia descoberto documentos, tinha tido acesso a mais de 600 páginas, lido vários depoimentos que acusavam Simonal e, o mais importante, num documento (o tal) anterior ao caso do seqüestro de Rafael Viviani (o contador), o “Rei da Pilantragem” assume que tinha vínculos com o DOPS.

Respondi que conhecia direitinho as tais 600 páginas, já que possuo cópias do processo inteiro há mais de 5 anos e que não lembrava mesmo de nenhuma menção com data anterior ao seqüestro. Mário, com a maior cara de pau, me afirmou que o documento foi lavrado às 15 horas do mesmo dia em que Viviani seria seqüestrado (às 23 horas).

A princípio não entendi. Disse pra ele que, exatamente, pela coincidência do dia, isso provaria o oposto. Que o tal depoimento comprometedor tinha a maior cara de ser meio “construído”, ser alguma espécie de álibi, de história de cobertura. Simonal, pra dar coerência à sua linha de defesa, apresenta uma queixa dada anteriormente (que também poderia ser “fabricada a posteriori”). Ou seja, o tal documento não é anterior ao caso do seqüestro, ele é parte tão fundamental do mesmo que o próprio Simonal o divulga, na grande imprensa, em 1971.

Também perguntei ao “jornalista” já que ele estava tão interessado nos aspectos jurídicos do caso, se ele não tinha lido o arrazoado do Juiz ao proferir a sentença que condenou Simonal. Em sua argumentação final, o ilustre meritíssimo alega que não tem como julgar os agentes do DOPS, já que estávamos vivendo um estado de exceção e, por isso, ele não tinha competência para julgar atos que poderiam ser de “segurança nacional”, mas Wilson Simonal, que era civil, não tinha esse tipo de “cobertura”, portanto pena de 5 anos e 4 meses pra ele.

Essa questão não seria um pouco mais intrigante para um jornalista ? Se Simonal pertencesse, de fato, a algum mecanismo de repressão em plena “Era Médici”, porque ele não teve nenhuma proteção ? Seu caso foi o único processo que envolveu agentes do DOPS, tortura, prisão ilegal, que saiu em toda mídia da época. No período de censura mais dura, Simonal apanhou sem ser socorrido. Para um cara que era “amigo dos hômi” ele não foi uma presa fácil demais ?

Lendo os depoimentos do processo, testemunhos de defesa e acusação no julgamento, fica-se com a nítida impressão de uma grande confusão, uma vendeta boçal que degringolou. O improviso e precariedade das argumentações servem mais para provar a grande quantidade de estupidez envolvida, do que para jogar luz em possíveis ligações políticas bizarras.

Exatamente, por acharmos que esse era um terreno pantanoso demais para semearmos certezas, que no nosso documentário, nesse momento do julgamento e das acusações policiais, passamos para uma montagem mais fragmentada, mais confusa. Nunca quisemos julgar. Nunca nos motivou conseguir a redenção, nem provar a culpa do ex-ídolo nacional. Nunca tivemos certeza onde íamos chegar. Apenas seguimos as pistas.

Procuramos, achamos e demos voz, pela primeira vez, a Rafael Viviani. Apesar do “jornalista” ironizar o fato que achou com muita facilidade o contador (se era tão fácil porque o contato só foi feito 5 anos depois que nós o encontramos ?), fomos nós que o ouvimos com todo respeito e também fomos os únicos a mostrar que Simonal tinha, realmente, cometido um crime bárbaro, uma violência condenável.

E ele foi condenado. Merecidamente. Por esse crime.

Mas a argumentação fajuta, citando promotores e juízes (e depois desmentindo en passant centenas de linhas depois) que, na época, a justiça aceitou as provas que ele era informante ou colaborador é outra enorme cascata. Só pra explicar, Simonal não poderia ter sido condenado por ser informante, simplesmente, porque isso não é crime. E mais, se em 1971 fosse provado que ele era um colaborador, ele não seria julgado por isso, seria condecorado.

Mas veio a anistia, né? Já passaram uns 30 anos. Pois é, mas a lei só vale para um lado, não é verdade? Para os amigos anistia e indenizações, para os inimigos (os que não forem aliados de ocasião) a danação eterna.

Nosso filme nunca teve como ponto de partida, nem de chegada, essa questão mais óbvia. Nossa (dos diretores) melhor pergunta nunca foi se ele era ou não era dedo-duro. Preferimos outras.

Por que um “crime” (delação), que além de não ser crime e de ser, praticamente, impossível de provar, não prescreve nunca? Por que, depois de décadas, de esquecimentos, perdões e mudanças de conjuntura a pergunta que todos fazem é “ele era ou não era”?

Não fica meio subentendido que “se ele fosse” então era merecedor de tudo e muito mais? Delatar é a coisa mais imperdoável que um ser humano pode fazer?

Além disso, naquela época a luta era, realmente, entre Democratas X Autoritários? Os que queriam pluralidade, diversidade de opiniões, liberdade de expressão não eram, na verdade, minoria? No espectro político-ideológico da época quem, ao alcançar o poder, não queria prender e eliminar opositores? Quantos, em nome da luta contra a ditadura, tinham seus próprios projetos totalitários e defendiam com ardor (além de posters e camisetas) genocidas de vários calibres?

E voltando ao velho Simona e a questão dele ser um famigerado colaborador da ditadura. Era, realmente, justo se esperar que um negro, pobre, favelado tivesse a mesma percepção de “anos de chumbo”, quanto alguém com formação universitária, classe média alta, etc e tal?

Ditadura é quando são caçadas liberdades individuais, quando o estado policial invade domicílios, dilacera famílias, prendendo e barbarizando ao seu bel prazer? Pra quem é preto-pobre-favelado isso é sempre. Isso é hoje. Como entender que a pior época do país é, justamente, quando se possui as maiores liberdades individuais que já se teve na vida?

Algumas (poucas) pessoas (entre elas, o “jornalista” Magalhães), nos perguntaram, desconfiadas, qual era a nossa “real” motivação, por que falar desse caso? Sempre respondemos: “por que não falar ?”. Sempre acreditamos que tínhamos descoberto um tesouro: uma grande história, praticamente inédita. Portanto, precisávamos contá-la. Por isso, procuramos depoimentos antagônicos, checamos fontes, pesquisamos anos, levamos mais de 40 semanas editando. Trabalhamos duro, mas fizemos um bom filme. E, de quebra, fizemos também jornalismo de verdade.”

Claudio Manoel (produtor e diretor do documentário: Simonal – Ninguém Sabe o Duro que Dei)

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O Gogó de Aquiles

Esse é um dos melhores e mais corajosos textos já escritos sobre Wilson Simonal, Erlon Chaves e Toni Tornado. É um capítulo do livro “O Gogó de Aquiles”, do músico Aquiles Rique Reis, vocalista do MPB4. Uma aula de história do Brasil!

Confesso que errei
Por Aquiles Rique Reis

Wilson Simonal nunca foi um dedo-duro. Simonal foi um artista com talento majestoso, só comparável, infelizmente, e no sentido inverso, à sua pernosticidade. Dono de uma voz privilegiada, que seu senso rítmico só fazia acentuar, o cantor que levava ao delírio multidões no Teatro Record ou no Maracanãzinho, não era propriamente uma pessoa politizada. Um de seus bordões: “Que tranqüilidade!”, deixava claro que seu negócio era cantar e se divertir com o dinheiro que entrava a rodo e lhe proporcionava uma vida de aprazibilidades. Simonal levava seus fãs e a sua carreira de showman “No gogó” e comandava as massas enlouquecidas ao som da “Pilantragem”, expressões que definiam seu estilo de ser, desde roupas ao repertório; de amizades ao destampatório verbal.

Tudo que fazia de Wilson Simonal um ídolo que encantava seus admiradores, causava raiva a nós seus colegas que não admitíamos que ele nada fizesse para denunciar uma ditadura militar que torturava e matava seus inimigos. Simonal era um alienado que pouco se lixava para a situação política brasileira naquele final dos anos 1960, início dos anos 1970. Com programas exclusivos na TV Record e na rádio Jovem Pan, antiga Panamericana, todas pertencentes à família de Paulo Machado de Carvalho, Simonal era uma estrela ascendente. Grana, mulheres e automóveis de luxo a sua meta de consumo.

A Copa de 70, no México, causou um drama de consciência entre os que se debatiam contra o regime militar. O drama de torcer ou não torcer pela seleção brasileira dividia os corações e as mentes daquele contingente de pessoas que sabia que a ditadura estava pronta para capitalizar politicamente uma possível vitória da seleção comandada pelo técnico Mário Lobo Zagalo. A demissão de João Saldanha – que comandou o time durante as eliminatórias e transformou jogadores como Pelé, Tostão, Carlos Alberto, Piazza, Clodoaldo, Gerson, Rivelino e Jairzinho nas “feras do Saldanha” -, deixou clara a interferência do general Emilio Garrastazu Médici na convocação dos jogadores que representariam o Brasil no México. Consta que tendo recebido ordens para convocar Dario, o Dadá Peito de Aço, Saldanha respondeu que se ele não indicava os ministros que Médici punha em seu governo, que o general não indicasse jogadores para seu time.

Naquele momento, entre torcer contra e a favor, Simonal não disse que sim nem que não, antes muito pelo contrário, mas engajou-se solenemente à delegação que viajou para disputar a Copa do Mundo do México, em 1970. Médici e seus companheiros de ditadura “rezavam” ardentemente pela vitória da seleção, que capitalizariam para “alegrar” ainda mais o povo e para passar para o exterior uma imagem de que por aqui estava tudo às mil maravilhas. Não estava.

Miguel Gustavo compôs o hino “Pra frente, Brasil” que foi usado civicamente durante a transmissão ao vivo para todo o Brasil, pela primeira vez na história da televisão brasileira. “Tudo era um só coração” dizia Miguel Gustavo e todos os que torciam desesperada e inocentemente pelo futebol brasileiro, que viria a se consagrar tri-campeão mundial e trazer o caneco “Jules Rimet” pra casa, cantavam a pleno pulmões pelas ruas, a cada vitória da seleção canarinho.

Mas enquanto do México vinham os gols que deflagravam uma alegria imensa em nossa gente, em meio à algazarra, dos porões da ditadura vinham os gritos abafados e o cheiro de sangue dos presos políticos que, se não morriam massacrados pela “eficiência científica” das torturas ensinadas aqui por “especialistas” estrangeiros, guardavam em seus corpos e almas o efeito da dor brutal que quando não matava, aniquilava o sentido de vida futura.

Mas a vida tinha que seguir e seguia. Wilson Simonal cada vez mais se identificava com o sucesso e ganhava muito mais dinheiro e prestígio com sua voz e seu suingue contagiantes. Indiferente ao que se passava na política nacional, ele era o exemplo de artista que cantava por cantar; que cantava para puramente se divertir e para fazer com que as pessoas se divertissem com seu canto. Jamais passou pela cabeça de Simonal que a cultura, mais especificamente a música, pudesse ser capaz de propiciar mudanças revolucionárias no povo que a ela tivesse acesso. E assim seguia Simonal, a simplesmente cantar e nada mais, ao invés de se imbuir do sentimento de responsabilidade que empurrava muitos de nós na direção da denúncia através da música engajada em um processo político que se acreditava ilusoriamente, viria a derrubar a ditadura e a restaurar a democracia aviltada pelo golpe militar de março de 1964.

Simonal vivia como um rei que tem a corte a seus pés. Conquistou essa corte com seu talento e dela dispunha como melhor lhe convinha.

Wilson Simonal tinha o direito de fazer de seu canto o que bem entendesse e assim o fez. Ele vivia a vida como ela mais lhe sorria. Enquanto isso, muitos de nós lutávamos e empunhávamos nossas vozes e talentos para driblar a repressão e a censura. Nós, seus colegas que, diante do silêncio imposto pela força bruta, tratávamos, cada um a sua maneira, de denunciar os atos de barbárie praticados impune, covarde e cotidianamente.

Convém lembrar que nem só de Simonal se constituía a legião dos que se lixavam para os atos dos militares ditadores e seus cúmplices civis. Muitos outros colegas da área musical sequer sabiam que existia tortura e morte nos cárceres brasileiros. A propaganda oficial se encarregava de torná-los cada vez mais alienados e alheios à situação.

A categoria musical convivia entre si em civilizado contato, onde uns eram contra o governo, outros não eram contra nem a favor e alguns poucos eram claramente favoráveis à ditadura. Esse equilíbrio se sustentava, por um lado, na clareza de alguns que sabiam ser impossível “converter” colegas “desinformados”, e, por outro, pelos que “nada” sabiam e, portanto, pouco tinham a exigir de quem quer que fosse. Entre os “poucos” favoráveis ao regime militar, certamente existiram aqueles que, cooptados pelos órgãos de informação, transformaram-se, esses sim, em dedos-duros profissionais.

Wilson Simonal não tinha o perfil de alguém que pudesse se “infiltrar” e denunciar colegas “comunistas”. Talvez lhe faltasse até disposição para “trabalhar” num ofício tão complicado e arriscado como esse. Não levava jeito para ser dedo-duro o Simonal. Seu jeito de ser e levar a vida era cantando “Meu limão meu limoeiro”, “Mamãe passou açúcar em mim” e outras pérolas da “Pilantragem” da qual ele tão bem soube encarnar o espírito. E também de cantar músicas como “Brasil eu fico” e “Cada um cumpra o seu dever”, jóias do mais indigno ufanismo da época em que a ditadura ameaçava seus opositores com “Brasil, ame-o ou deixe-o” e até “Brasil, ame-o ou morra”. Podia-se gostar ou não gostar das músicas e da postura tão imodesta quanto arrogante de Simonal, mas nunca acusá-lo de ser um informante a soldo da ditadura.

Em 1971, Simonal “descobriu” que o contador de sua empresa de produções artísticas teria dado um desfalque em suas contas. Inconformado, ele pediu a alguns “amigos” ligados à repressão que “prendessem” e “dessem uma dura” – eufemismo usado para autorizar a tortura -, no ex-funcionário. Este é, literalmente, o único crime cometido por ele e pelo qual foi condenado, tempos depois. Wilson Simonal nunca foi um dedo-duro, mas não se incomodava nem um pouco de ter agentes civis e policiais militares entre os que faziam parte de seu círculo de amizades. Numa simplificação grosseira, pode-se dizer que alguns “amigos” de Simonal podiam ser qualificados, como se dizia à época, de “maus elementos” que punham em risco a idoneidade dos que lhes eram próximos.

Não sendo um deles, Simonal talvez até tivesse vontade de ter o “poder” quase absoluto que esses “funcionários” da ditadura tinham. Entretanto, Simonal nunca foi um dedo-duro. Certamente, havia no meio artístico algum informante. Durante a vigência da ditadura, todos os segmentos da vida brasileira tiveram suas atividades controladas pela repressão, através de agentes infiltrados. Todas as categorias profissionais, sem exceção, e não temo aqui a generalização, tiveram os passos de seus líderes, ou mesmo de quem se destacava por sua competência e saber, mesmo sem exercer ascendência sobre seus colegas, vigiados diuturnamente pelos serviços de informação.

Falso malandro e sem fazer jus a sua tão alardeada esperteza, Wilson Simonal demonstrava um “deslumbramento” irresponsável e pueril com a força que dispunham seus “amigos” e que ele não hesitou em acionar quando se sentiu roubado por um funcionário. O “poder” acima da lei; a “força” em detrimento da civilidade; a vontade de “levar vantagem em tudo” subiram-lhe tristemente à cabeça. Faltou-lhe um mínimo de consciência para perceber que sua vida, que sua carreira, que o seu futuro poderiam ser comprometidos ao deixar-se encantar pelas “facilidades” que só uma ditadura permite a seus assalariados.

Hoje, puxando pela memória e depois de conversar sobre esses fatos com alguns colegas, lembramo-nos das declarações do advogado de Simonal que, ao defendê-lo das acusações de ter mantido seu contador em cárcere privado e de ter mandado prendê-lo e consentido que alguns “amigos” o torturassem, disse algo como meu cliente tem serviços prestados ao governo, por isso nada acontecerá com ele. Evidentemente, que reproduzo apenas o sentido das declarações, nunca as palavras literais de quem “defendia” o cliente Simonal e do qual, infelizmente, não conseguimos lembrar do nome. Wilson Simonal não fez questão de desmentir seu advogado, talvez por se sentir “orgulhosamente protegido” pelos “serviços prestados”, ainda que tudo não passasse de uma mera e angustiante fantasia.

Condenado a cinco anos de cadeia pela acusação de extorsão contra seu ex-contador, Simonal, em 1974, é preso e libertado poucos dias depois por força de um habeas-corpus.

Começava então o calvário de um dos maiores cantores brasileiros que, seduzido pela podre ilusão de ter ele também a “guarida” concedida aos “amigos” dos ditadores, deixou-se afundar na própria ignorância prepotente e conheceu as dores de um ostracismo precoce que aos poucos lhe corroeu a vontade de viver e o levou ao alcoolismo e à morte.

Simonal deixou dois filhos que seguem seus passos musicais de forma brilhante. Max de Castro e Simoninha são parte de uma nova geração de músicos que se dedica com afinco ao estudo da música para poder melhor extravasar seus talentos inatos. E hoje, cobertos de razão, os filhos de Wilson Simonal querem resgatar a honra de seu pai, já que ele morreu afirmando nunca haver sido um dedo-duro. Pior, morreu enxovalhado pela acusação, sem nenhuma prova ou base legal, que o matou devagar, como numa tortura – que ironia! – que era a marca registrada de alguns dos “amigos” de quem Simonal tanto “invejou” a “força”.

Nos anos 1990, o secretário da Comissão dos Direitos Humanos do Ministério da Justiça, José Gregori, após investigação junto às agências de inteligência a serviço do Estado Brasileiro durante os anos de chumbo, constatou não haver nenhuma referência ao nome de Wilson Simonal em seus respectivos arquivos. Recentemente, no segundo semestre de 2003, o relatório final de uma comissão nomeada pela OAB, após outra investigação dos fatos e após ouvir depoimentos de pessoas que conviveram com Simonal, naquele período, concluiu não haver nenhuma evidência que o mostrasse como um delator a serviço da repressão durante a ditadura militar.

A situação de Simonal, desde o início até o desfecho melancólico de sua vida, é uma chaga aberta no peito da MPB. Apesar de saber que a barra era pesadíssima, que todos andávamos “falando de lado e olhando pro chão” por medo dos “homi”, me indigna perceber que eu não tive forças ou vontade para tentar buscar – ainda que eu reconheça e reafirme o quão difícil seria isso -, conhecer a verdade sobre a acusação que surgiu em forma de um boato reforçado pelo comportamento quase pusilânime de Wilson Simonal.

Não fiz o que só agora acho que deveria ter sido feito. Simonal está morto desde 2000 e seus filhos buscam provar a inocência do pai, inocência essa, diga-se, desnecessária de ser comprovada na medida em que existe a “inocência presumida”, que sustenta que todo acusado é inocente até que se prove ao contrário. E por que assim não foi?

Wilson Simonal nunca foi um dedo-duro, e nenhuma investigação feita até hoje encontrou nada que confirmasse o que começou como um boato e assim se mantém até hoje. E como nada foi constatado, como nada foi comprovado, Simonal foi levado à morte, assim como o maestro Erlon Chaves, crivado pela intolerância e pela discriminação racial que afirma que negros têm seu próprio lugar e por isso não devem dele sair. Toni Tornado, que está aí até hoje, que o diga.

Vejo hoje o quanto não pude ou não quis me empenhar para impedir o “linchamento” a que foram submetidos três dos grandes da música popular brasileira. Nenhuma discordância quanto ao gosto musical ou mesmo quanto a divergências políticas e ideológicas com Simonal, Erlon ou Toni Tornado podem justificar minha omissão. Tudo bem que em minha própria defesa eu possa argumentar que, mesmo se fosse possível “vasculhar” aquela montanha de lixo autoritário, dificilmente seria possível estabelecer a verdade dos fatos, justo num momento em que a verdade era a vítima que caia junto com os presos políticos e, muitas vezes, morria com eles.

Se Wilson Simonal já era uma estrela popular e consagrada, Erlon Chaves era um maestro e arranjador respeitado por suas qualidades profissionais. Trabalhou com vários nomes da música brasileira e, inclusive, foi diretor musical de algumas edições do Festival Internacional da Canção, realizadas pela TV Globo, inclusive, do I FIC, em 1971. Mas foi como intérprete da música “Eu também quero mocotó”, de autoria de Jorge Bem (a mudança para Benjor surgiu anos depois), que o maestro ganhou notoriedade e sucesso que, se por um lado trouxe fama e reconhecimento popular, levou-o a uma situação que colocou em risco a sua integridade física e o estigmatizou para o resto da vida.

Vestindo uma berrante calça vermelha sob uma túnica à la Mao Tsé-tung, seguido pela Banda Veneno trajando túnicas extravagantes e pelo grande coral misto com batas amarelas e cor de abóbora, Erlon Chaves surge no grande palco montado no Maracanãnzinho para defender a última concorrente da segunda eliminatória do V FIC realizado em 1970. Dois negros como Ele, abanavam-no com plumas de avestruz. Nascia ali um fenômeno. O sucesso daquele intérprete novato sacudiu as entranhas caretas do festival.

Classificado para ir à final internacional, Erlon Chaves foi também convidado para presidir o júri que escolheria a grande vencedora do V FIC. Para reapresentar a música de Jorge Bem, Erlon avisou que antes de cantar faria um show extra. E assim, ao invés dos “escravos negros” com abanos de plumas de avestruz, anunciou as “Canequetes” – mulheres lindas que rebolavam para os freqüentadores do recém inaugurado Canecão – que, numa dança sensual e vestidas com roupas cor da pele que só faziam aumentar suas formas exuberantes, se esfregavam nele e o beijavam. Para aumentar a reação negativa à performance, que tomou conta do ginásio superlotado, Erlon Chaves disse ao microfone que sendo beijado pelas gatas ali no palco, todas as mulheres ali presentes deveriam se sentir beijando-o. Um escândalo! A glória!

Tamanho sucesso chamou atenção dos militares da ditadura que havia recrudescido com a decretação do Ato Institucional número 5. Os telefones da Rede Globo de Televisão recebiam centenas de telefonemas protestando contra o desrespeito à família. Os jornais atacavam a cena que diziam ter sido obscena. E o caldo para fritar Erlon Chaves ferveu. Preso pela Polícia Federal, o “negro cafajeste”, intérprete de “Eu também quero mocotó”, foi solto alguns dias depois. Mas o pior ainda estava por vir, o chefe do Departamento de Censura Federal proibiu que Erlon exercesse a sua profissão por 30 dias, em todo o território nacional. A violência inominável desabava sobre um negro que ousou desafiar a moral e os bons costumes estabelecidos pela ditadura militar e o “torturou” até sua morte precoce em novembro de 1966.

Foi nesse mesmo V Festival Internacional da Canção que Antônio Adolfo e Tibério Gaspar, autores de “BR-3″ – nome antigo da estrada BR-143, que ligava Rio de Janeiro e Belo Horizonte -, ofereceram sua música primeiro a Wilson Simonal e depois para Tim Maia, para que um deles a defendesse. Como estes recusaram o convite, a dupla de compositores foi a um “inferninho”, em Copacabana, ouvir um negro que poderia dar à música o estilo soul que eles pretendiam para “BR-3″. Lá eles ouviram o crooner Antônio Viana Gomes que cantava em inglês com sotaque do Harlem e tinha o perfil de um verdadeiro Black Power, que Antônio e Tibério sonhavam. Antônio, o cantor da noite virou Toni Tornado.

Orientado para que reproduzisse em cena os gestos que caracterizavam os Panteras Negras norte-americanos e a soltar-se em uma dança até então nunca vista em palco algum, Tornado virou a grande sensação daquele festival. Como grande artista que é, Toni desempenhou-se no palco de forma tão esplendorosa e convincente que os militares viram nele a encarnação escrita e escarrada dos líderes do movimento negro dos EUA. O delírio conspiratório foi às raias da demência com a tentativa de fazer de “BR-3″ um hino ao viciado em drogas. Chegaram a sugerir que alguns versos, na verdade, não eram exatamente como estavam escritos na letra de Tibério Gaspar e, sim, eram outros, muito mais explicitamente malfeitor: “Há uma seringa/ Que vem do céu, cruzando o braço/ e uma agulha feita de aço/ pra espetar outra vez”.

Indiferente às pressões sofridas, Toni seguia seu caminho de cantor de sucesso. Até que, em 1972, a polícia invadiu brutalmente seu apartamento. Foi levado preso para Brasília e “convidado” a deixar o Brasil. Estava encerrada a carreira fulminante de um cantor que ousou ser diferente. Um cantor que era “apenas” original. E negro!

Toni viajou pelo mundo afora até voltar ao seu País e transformar-se em um ator coadjuvante das novelas da Rede Globo de Televisão.

Os tempos eram de caça às bruxas. Cada esquina escondia o perigo, dobrá-la poderia significar a morte. Eram anos terríveis, aqueles. E foi movido pelo sentimento de que cometi uma injustiça que, mesmo antes de escrever as linhas acima, eu já tinha escrito o texto que se segue. Em 1968, consolidado o golpe dentro do golpe desfechado pelos militares em 1964, meu coração em disparada buscou uma “trincheira” em forma de palco e de onde se viam jovens como eu serem torturados e mortos. De lá se viam também outros jovens serem mortos em suas guaritas por aqueles outros tão jovens quanto eles e quanto eu. A tudo vi e a tudo denunciei.

Mas, em 1970, houve um dia em que acusaram Wilson Simonal de ser um informante da ditadura e meus ouvidos de músico creram. Incontestes. Noutro, prenderam o maestro Erlon Chaves e meu gogó de cantor se fechou. Afônico. Em mais um outro, as forças do arbítrio “convidaram” Toni Tornado para ir para o Uruguai e meus olhos se fecharam. Trêmulos. Meus ouvidos entupiram-se para não ouvir a triste história de três dos maiores músicos que o Brasil já teve e que, pouco a pouco, foram sendo desterrados de sua dignidade, apesar de seus talentos imensos. E a solidão para eles se fez mortal, porque decretada por alguém próximo. Foi o abandono dos “amigos” que lhes manteve a alma exilada e em silêncio.

Três músicos talentosos foram apagados da memória musical brasileira por vozes dissonantes das deles e que lhes viraram o rosto para demonstrar repugnância pela “alienação imperdoável”. Para além do talento e da vocação para provocações, em pleno período ditatorial Erlon teve o “atrevimento” de conquistar a exuberante Vera Fischer; Toni Tornado “ousou” namorar a loura Arlete Sales; Simonal bagunçou o coreto das “divisões” rítmicas e tinha a seus pés as mulheres e o sucesso que seu suingue lhe dava. São três vítimas do preconceito racial e cultural mais hediondo e enrustido que o Brasil e a música brasileira já viram. Nem quando por aqui se prendia músico por vadiagem ou viadagem a violência foi tão brutal quanto a que lhes impuseram a ditadura militar e os que, feito eu, faziam a distinção preconceituosa: alguns eram mais “amigos” que os outros.

Eu, o “revolucionário”, não combati aquele combate. E deveria tê-lo feito. Eu, o “guerrilheiro”, não disparei minhas poucas armas para tentar evitar o massacre que vitimou três dos meus companheiros de profissão. E deveria ter-me insurgido. Eu, o “solidário”, jamais atentei para a obrigação de entrevistas e shows em desagravo aos três músicos, privados de suas carreiras de inquestionável sucesso, por haverem desafiado o esperado, por irem além do que a eles era “concedido”, mas assim não o fiz. Sou de uma categoria profissional onde vivemos como pessoas que nunca são o que imaginamos ser. Somos um futuro sempre adiado e que, desdita suprema, quase nunca chega. Aliás, ninguém é o que pensa ser, somos apenas aquilo o que escrevemos ser.

Tudo o que um dia sonhei para mim, os três tiveram. As mulheres com quem eu jovem vocalista sonhei e não tive, Simonal, Erlon e Toni tiveram e foram felizes com elas em suas manifestações artísticas repletas de criatividade e sucesso que julguei possessões minhas.

Mas nunca é tarde para admitir culpa. Ao contrário, ela é mais necessária por tardia e ainda mais saudável por faxinar velhas convicções, sinônimas dos mais deslavados prejulgamentos. Pois a dor maior não advém do ato desprezível, a dor insuportável vem, no dia-a-dia seguinte à ação, repleta de pequenas “desculpas”, de meros “não era comigo” ou “problema dele” e do “desculpável” consolo: “Nunca! Eu não sou preconceituoso”. A dor não é passado, é presente e, assim como não seca a lágrima derramada contra a injustiça do abandono, é difícil escondê-la, pois ela gruda e passa a ser nossa para sempre. Uma tatuagem.

Foram necessários dois julgamentos simbólicos para que um dos nossos grandes cantores fosse “absolvido” pelos “Júris” que se pautaram na mais absoluta falta de provas para tomar a decisão que inocenta, mas não redime o sofrimento por que Simonal, Erlon, Toni e suas famílias passaram, muito menos livra a cara de quem fez o pior dos silêncios: o que está dentro de nós e juramos sermos incapazes de pronunciá-lo.

P.S. 1 – Sinto muito se escrevi algo que possa ter causado algum constrangimento ou incomodado algum de meus colegas de profissão. Expus aqui o meu sentimento, a minha emoção, a minha verdade. E minhas emoções, minhas verdades e meus sentimentos são apenas meus. E se reafirmo o óbvio é por respeitar qualquer decisão de quem quer que seja, mesmo discordando frontalmente delas. Não peço que ninguém concorde comigo, muito menos que ninguém se sinta compelido a ter pensamento igual ao que tive e que aqui expressei. Senti que precisava falar sobre essa questão tão histórica quanto importante para nós fazedores da música popular brasileira. E assim o fiz e assim me sinto um pouco melhor. Mas nada trará Simonal de volta para Max e Simoninha. E isto é muito triste.

P.S. 2 - Algumas das citações contidas neste texto são fruto da leitura da belíssima e imprescindível “bíblia” musical escrita pelo meu amigo Zuza Homem de Mello: “A era dos festivais – Uma parábola”, lançado em 2003 pela editora 34, obra que todos os que amam e querem melhor compreender a Música Popular Brasileira deveriam ler.

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Depoimento de Fã: Meire Bottura

Vamos publicar no blog depoimentos de fãs de Wilson Simonal, desde os de sempre até os mais novos.

Pra começar, nada melhor que uma declaração da jornalista paulistana Meire Bottura, uma das maiores pesquisadoras da obra de Wilson Simonal. Sua dedicação à recolocação do artista na história da música brasileira chega a impressionar. Em 2007, publicou a tese “Quero Tombo, Não Rasteira”, e não é difícil encontrar na internet seus comentários inflamados defendendo o grande cantor.

Simonal e eu!

Eu tinha apenas três aninhos quando me apaixonei pelo Simonal!!!
Mas, confesso, ele não foi o meu primeiro amor…

Quando conheci o Simonal, o meu coração já batia por outro. É verdade, fui uma criança bastante precoce… apesar da pouca idade já tinha um namorado!

Em 1970, a razão da minha pouca existência era um nanico tagarela que, com um charmoso sotaque italiano e jeitinho dengoso, conquistava todas as menininhas da minha idade. Ele era lindo! Tinha 20 centímetros de altura, orelhas enormes, uns três ou quatro fios de bigode e usava calça vermelha, camisa branca, gravatinha borboleta azul e sapatos pretos. Completava o visual com suspensórios, também azuis, e um bonezinho amarelo. Para dormir, vestia uma sensual camisola branca, e uma touquinha com pompons. Um pão! Seu nome, Topo Gigio!

Topo Gigio era um simpático e falante ratinho por quem eu era completamente alucinada! Nunca fui uma criança tímida, ao contrário, era bem espevitada, passava o dia inteiro aprontando enquanto esperava a hora do meu namoradinho camundongo chegar. Minha mãe agradecia a Deus quando ele aparecia na televisão, sempre risonho, dançando e cantando sem parar. Só assim eu dava um pouquinho de sossego, ela dizia.

Foi assim que a música entrou na minha vida. Lembro até hoje do Topo Gigio, com uma faixa na testa, a lá Simonal, cantarolando

♫♫ “meu limão, meu limoeiro, meu pé de jacarandá, uma vez tindo lelê, outra vez, tindo lalá…” ♫♫

Eu tinha certeza absoluta de que o Simonal era algum amigo muito íntimo do Topo Gigio, talvez primo, sei lá…

– Não pode ser, não existe primo adulto!, pensava. O Simonal é muito grande, deve ser titio do Gigio, ou, talvez vovô…
– Ah, não importa! Se o Simonal é amigo do meu namorado, é meu amigo também!

Eu só não entendia porque o Simonal imitava o Topo Gigio… (???)

Um dia, sem mais nem menos, os caras lá do Pasquim cismaram com o ratinho, disseram que ele era gay porque balançava a perninha e pedia beijinho para o Agildo Ribeiro. A solução foi arrumar uma namorada famosa para provar que ele era um rato de verdade, rato com R maiúsculo! A escolhida foi, ninguém mais ninguém menos que a própria ‘namoradinha do Brasil’, a Regina Duarte, que virou Rosita, minha rival. Mas, eu não senti ciúme, não. A verdade é que eu até gostava dela.

Mas, o truque não deu certo. De novo, o Pasquim pegou no pé do Gigio com uma conversa esquisita de que ele era bissexual. Claro, o Gigio não gostou nem um pouquinho da brincadeira. Ficou muito magoado e, dali a uns tempos, resolveu ir cantar noutra freguesia. Jogou uma trouxinha nas costas, olhou no fundo dos meus olhos e cantou

♫♫ “adeus amor, eu vou partir, pra bem longe daqui” ♫♫

Meu namoradinho foi embora para sempre, nunca mais voltou…
Foi um choque. Chorei muito, não queria mais comer, até fiquei doente. A partida do Topo Gigio foi a primeira grande perda da minha vida.

Um dia, naquele mesmo ano, resolvi libertar um passarinho esquisito que morava lá em casa. Coitado, ele vivia preso numa casinha de madeira que ficava na parede da sala. Acho que é por isso que ele tinha a mania de cantar de hora em hora… ficou doido. Ah, o nome dele era Cuco! Subi numa cadeira e, não deu outra: caí. Só ouvia os berros da minha mãe: “ô menina que não tem sossego!”. O pior é que ainda levei uns beliscões no bumbum…

Foi quando o meu pai, para evitar outros tombos, teve a idéia de construir um banquinho especialmente para mim. Era amarelo canarinho, cor da seleção.
Começava a copa de 70. Uma figura conhecida invadiu a minha casa e a minha vida:

♫♫ “Moro, num país tropical, abençoado por Deus,
e bonito por natureza, mas que beleza!!!”

– Paaaaaaai, paiêêêêêê!!! Olha o Simonal, o amigo do Topo Gigio!

Meu sorriso voltou!
Logo ganhei um Mug e, rapidinho, mudei de paixão.

E, claro, troquei de namorado!!!

Se quiser participar, mande o seu depoimento para docsimonal@gmail.com

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