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Depoimento de Fã: Meire Bottura

Vamos publicar no blog depoimentos de fãs de Wilson Simonal, desde os de sempre até os mais novos.

Pra começar, nada melhor que uma declaração da jornalista paulistana Meire Bottura, uma das maiores pesquisadoras da obra de Wilson Simonal. Sua dedicação à recolocação do artista na história da música brasileira chega a impressionar. Em 2007, publicou a tese “Quero Tombo, Não Rasteira”, e não é difícil encontrar na internet seus comentários inflamados defendendo o grande cantor.

Simonal e eu!

Eu tinha apenas três aninhos quando me apaixonei pelo Simonal!!!
Mas, confesso, ele não foi o meu primeiro amor…

Quando conheci o Simonal, o meu coração já batia por outro. É verdade, fui uma criança bastante precoce… apesar da pouca idade já tinha um namorado!

Em 1970, a razão da minha pouca existência era um nanico tagarela que, com um charmoso sotaque italiano e jeitinho dengoso, conquistava todas as menininhas da minha idade. Ele era lindo! Tinha 20 centímetros de altura, orelhas enormes, uns três ou quatro fios de bigode e usava calça vermelha, camisa branca, gravatinha borboleta azul e sapatos pretos. Completava o visual com suspensórios, também azuis, e um bonezinho amarelo. Para dormir, vestia uma sensual camisola branca, e uma touquinha com pompons. Um pão! Seu nome, Topo Gigio!

Topo Gigio era um simpático e falante ratinho por quem eu era completamente alucinada! Nunca fui uma criança tímida, ao contrário, era bem espevitada, passava o dia inteiro aprontando enquanto esperava a hora do meu namoradinho camundongo chegar. Minha mãe agradecia a Deus quando ele aparecia na televisão, sempre risonho, dançando e cantando sem parar. Só assim eu dava um pouquinho de sossego, ela dizia.

Foi assim que a música entrou na minha vida. Lembro até hoje do Topo Gigio, com uma faixa na testa, a lá Simonal, cantarolando

♫♫ “meu limão, meu limoeiro, meu pé de jacarandá, uma vez tindo lelê, outra vez, tindo lalá…” ♫♫

Eu tinha certeza absoluta de que o Simonal era algum amigo muito íntimo do Topo Gigio, talvez primo, sei lá…

– Não pode ser, não existe primo adulto!, pensava. O Simonal é muito grande, deve ser titio do Gigio, ou, talvez vovô…
– Ah, não importa! Se o Simonal é amigo do meu namorado, é meu amigo também!

Eu só não entendia porque o Simonal imitava o Topo Gigio… (???)

Um dia, sem mais nem menos, os caras lá do Pasquim cismaram com o ratinho, disseram que ele era gay porque balançava a perninha e pedia beijinho para o Agildo Ribeiro. A solução foi arrumar uma namorada famosa para provar que ele era um rato de verdade, rato com R maiúsculo! A escolhida foi, ninguém mais ninguém menos que a própria ‘namoradinha do Brasil’, a Regina Duarte, que virou Rosita, minha rival. Mas, eu não senti ciúme, não. A verdade é que eu até gostava dela.

Mas, o truque não deu certo. De novo, o Pasquim pegou no pé do Gigio com uma conversa esquisita de que ele era bissexual. Claro, o Gigio não gostou nem um pouquinho da brincadeira. Ficou muito magoado e, dali a uns tempos, resolveu ir cantar noutra freguesia. Jogou uma trouxinha nas costas, olhou no fundo dos meus olhos e cantou

♫♫ “adeus amor, eu vou partir, pra bem longe daqui” ♫♫

Meu namoradinho foi embora para sempre, nunca mais voltou…
Foi um choque. Chorei muito, não queria mais comer, até fiquei doente. A partida do Topo Gigio foi a primeira grande perda da minha vida.

Um dia, naquele mesmo ano, resolvi libertar um passarinho esquisito que morava lá em casa. Coitado, ele vivia preso numa casinha de madeira que ficava na parede da sala. Acho que é por isso que ele tinha a mania de cantar de hora em hora… ficou doido. Ah, o nome dele era Cuco! Subi numa cadeira e, não deu outra: caí. Só ouvia os berros da minha mãe: “ô menina que não tem sossego!”. O pior é que ainda levei uns beliscões no bumbum…

Foi quando o meu pai, para evitar outros tombos, teve a idéia de construir um banquinho especialmente para mim. Era amarelo canarinho, cor da seleção.
Começava a copa de 70. Uma figura conhecida invadiu a minha casa e a minha vida:

♫♫ “Moro, num país tropical, abençoado por Deus,
e bonito por natureza, mas que beleza!!!”

– Paaaaaaai, paiêêêêêê!!! Olha o Simonal, o amigo do Topo Gigio!

Meu sorriso voltou!
Logo ganhei um Mug e, rapidinho, mudei de paixão.

E, claro, troquei de namorado!!!

Se quiser participar, mande o seu depoimento para docsimonal@gmail.com

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